Kinsey: Esse é um filme estranho, que pode ser separado em dois: primeiro, uma parte biográfica, que é a mais clichê possível pra filmes biográficos. O filme é a história do Alfred Kinsey, biólogo norte-americano que na primeira metade do século fez o primeiro estudo sério sobre a sexualidade, entrevistando dezenas de milhares de pessoas, e derrubando um monte de mitos. Pai autoritário, martirização e outras obviedades não faltam. Por outro lado, um filme que fala abertamente de sexo (de um modo sincero e verdadeiro, coisa rara em filme americano) e discute de maneira interessante os limites entre sexo, intimidade, convenções sociais e ciência. Isso tudo meio imerso na pataquada geral, mas vale uma ida ao cinema com direito a chopinho depois pra discutir as melhores partes.
Team America: Detonando o Mundo: filme todo feito com marionetes. Totalmente ofensivo e de mau-gosto, mas muito engraçado. Só pra quem gosta do humor tipo South Park (é dos mesmos criadores). Conta a história de uma equipe norte-americana que corre o mundo atrás de terroristas carregando armas de destruição em massa. Algo como "O Mundo como Bush o Imagina". Dá pra reparar que é uma grande piada com a política externa do governo republicano. Se você não se incomodar com a baixaria, é diversão garantida. (PS: mudaram a data de lançamento no Brasil, e agora não tem data prevista...)
La Haine: Esse eu vi numa sessão do clube francês aqui em Caltech. Conta um dia na vida de três jovens de raças diferentes no subúrbio de Paris um dia depois de protestos devido à tortura de um quarto amigo pela polícia. Belíssimo filme sobre exclusão social e os contrastes que geram a violência - todo filmado em preto e branco. Num comentário totalmente polêmico, é o filme que Cidade de Deus tentou ser e não conseguiu.
Sideways: Ah, esse é um filmaço. Dois amigos, um deles vai se casar. O outro, como despedida de solteiro, resolve levá-lo numa viagem ao Vale de Napa, pra degustar vinhos, comer em bons restaurantes, jogar golfe - uma "despedida em alto estilo". Mas o futuro marido tem lá suas dúvidas e prefere uma despedida mais, digamos, tradicional. O apreciador de vinhos, em depressão desde que a mulher o deixou, não gosta muito da idéia, e os dois entram em conflito. Filme inteligente, baseado principalmente nos diálogos, inteligentes, e numa comédia de ironia fina alternada com momentos mais melancólicos. Talvez seja por causa das minhas mudanças, mas eu simplesmente adorei. Como aperitivo, passagem do personagem explicando porque gosta tanto de Pinot Noir:
"I don’t know. It’s a hard grape to grow. It’s thin-skinned, temperamental, ripens early. It’s not a survivor like Cabernet that can grow anywhere and thrive even when neglected. Pinot needs constant care and attention and, in fact, can only grow in specific little tucked-away corners of the world. I mean, it just amazes me that only the most patient and faithful growers can uncover Pinot’s fragile, delicate qualities. And if you get the right combination of soil and sun and love, then you can coax Pinot Noir into its fullest expression. And only then, its flavors are the most haunting and brilliant and subtle and thrilling and ancient on the planet."
Beijos,
Thiago
PS: Mamãe está aqui! Seja bem vinda - ela e papai, que chega na próxima sexta! Uêba!!
4 comentários:
Nada como ter mamãe por perto... Em breve responderei seu email.
Beijundas
Thiago,
todas as dicas estão devidamente anotadas. Depois do festival não tive muito tempo pra continuar acompanhando a sétima arte.
Ah, que beleza seus pais estarem aí contigo. Vc bem deve estar tirando umas férias da cozinha : P
Bjs,
Carol
Hmm...Sempre bom ler críticas de filmes!! Pena que vão demorar tanto pra chegar aqui que vou acabar esquecendo, hehehe...
Beijos, Mari!!
lembro de ler esse post em Paris e pensar: falta pouco pro Portuga chegar!!
saudades
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