quinta-feira, junho 16, 2005

A Nação da Hipocrisia

Darfur é uma região no oeste do Sudão, maior país africano. Uma limpeza étnica - lembrando um pouco o occorido em Ruanda na década passada - está em andamento ali. Os Janjaweed (cujo nome significa 'homens armados a cavalo', para denominar esse povo de homens armados a cavalo) estão promovendo uma campanha de genocídio e estupro generalizado contra a população que se revoltou contra o governo árabe.

A denominação árabe diferencia as etnias envolvidas, já que ambas as partes são muçulmanas. Essas milícias (com o aval não-oficial do governo, que dificulta a ação da ONU) atravessam a região dizimando vilas inteiras e estuprando as mulheres, de modos que não vou descrever aqui de tão gráficos. Muitos fugiram para o Chade, país vizinho; outros se refugiaram em campos. No entanto, muitas mulheres devem sair dos campos para apanhar lenha, tendo de atravessar a região ocupada pelos Janjaweed. Ali, a possibilidade de estupro é quase certa. Estima-se que cerca de 200.000 pessoas foram mortas.

O governo norte-americano levou quase quatro meses para fazer um pronunciamento a respeito.

Disseram que no momento não têm capacidade de enfrentar o problema neste momento, mas se solidarizam com as vítimas. Ou seja, eles afirmam que a nação militarmente mais poderosa do mundo não pode enfrentar uma milícia de homens armados a cavalo.

Longe de mim imaginar que os americanos têm o papel de salvar o mundo de todos os males. A questão é que o atual governo americano pretende passar exatamente essa impressão. E despenca para o Afeganistão e o Iraque para derrubar governos que eles apoiaram há algumas décadas, para "derrotar o eixo do mal". Lutando contra um exército de resistência certamente muito mais preparado que um bando de homens armados a cavalo, alguns milhares de soldados americanos morreram. A imagem se torna mais dramática quando citamos os civis iraquianos: um estudo da universidade Johns Hopkins estima no mínimo 100.000 mortos até agora.

Enquanto isso, foi nomeado para ministro do petróleo no Iraque o senhor Ahmed Chalabi. Algumas informações a seu respeito:

  • Ele tem uma condenação na Jordânia por fraude, para onde não pode voltar se não quiser ir pro xilindró;
  • Dissidente do governo de Saddam Hussein, apenas 0,2% dos iraquianos acreditavam nele como um líder confiável, enquanto ele governava interinamente o Iraque sob indicação dos Estados Unidos;
  • Essa indicação não parece tão surpreendente quando se nota que Chalabi foi o informante que "alertou" o governo norte-americano sobre as armas de destruição em massa no Iraque. Chalabi admitiu publicamente ter fornecido informações falsas;
  • Ele é hoje responsável pela negociação de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia.

Tomem suas próprias conclusões.

PS: Estava pensando em escrever sobre os escândalos políticos no Brasil, mas do jeito que as coisas vão, eu sofria o risco de ter algo ultrapassado depois de 24h. Só posso dizer o quão decepcionado me sinto com a política brasileira como um todo...

Um comentário:

Anônimo disse...

Não gosto de política. Então vamos ao que interessa...

Malas prontas?! Ieeeiii!!!

Beijos, Mari