quarta-feira, janeiro 25, 2006

A corrida pelo Oscar

Faz tempo que não escrevo aqui sobre cinema. Como o Oscar está chegando, achei uma boa oportunidade pra comentar o que andei assistindo nas últimas semanas.

Brokeback Mountain: A não ser que o inferno congele ou algo parecido, esse vai ser o grande campeão do ano. A atuação é boa, a direção do senhor Ang Lee é ótima, a fotografia é fenomenal. Silêncios signifactivos, emoção, tudo bem feito. Enfim, um filme muito bonito, e sobretudo muito corajoso ao apresentar um tema controverso sob a forma de uma história de amor. Não me pareceu a obra prima que andam dizendo por aí, mas é uma boa chance para os conservadores da Academia dizerem que estão mais "avançadinhos", dando prêmio até pra filme gay.

Capote: Provável vencedor na categoria de melhor ator. Phillip Seymour Hoffman está absolutamente genial como o escritor Truman Capote, que escreveu um livro sobre como uma família foi assassinada no Kansas em 1959. Como se o filme já não fosse muito bom em mostrar a relação do escritor com um dos assassinos (entrevistado na cadeia por Capote), vale a pena só pela atuação. Ah, e já que estou aqui, não deixem de ler o livro também!

King Kong: Esse deve vencer algumas categorias técnicas. O que me impressionou mais aqui foi o macacão-título, perfeitamente interpretado pelo ator-digital Andy Serkis (mais conhecido como Gollum - my prrrreecciousssssss). As expressões faciais e corporais estão ótimas, e a relação com Naomi Watts é muito bem trabalhada. Pena que, se o nosso Peter Jackson andou economizando em calorias desde O Senhor dos Anéis, ele exagerou um pouco na dose de efeitos especiais. Algumas cenas de ação têm efeitos demais e conteúdo de menos, ou seja, são supérfluas e acabam distraindo da história principal. Poderia ser um filme excelente com vários minutos a menos.

Além desses, vale um comentário extra sobre alguns filmes que estão no páreo, mas correndo por fora; no entanto, me impressionaram bastante.

Good Night, and Good Luck: Parece que a amizade de George Clooney com Steve Soderbergh rendeu bons frutos - esse filme é muito bom. Fala sobre um jornalista que resolveu encarar o senador Joseph Raymond McCarthy, que andava por aí acusando a todos de serem comunistas, promovendo uma verdadeira caça às bruxas. Um filme preto-e-branco, enxutíssimo, vai direto ao ponto sem firulas. Sem contar que o tema é atualíssimo.

Syriana: Sim, mais um George Clooney, desta vez como ator. E ele parece determinado a criticar a política norte-americana. Aqui, a história de várias pessoas, desde príncipes a um aprendiz de terrorista, que estão de uma forma ou de outra relacionadas à questão sócio-político-religiosa do petróleo no Oriente Médio, e como isso tudo está relacionado aos interesses econômicos na região (leia-se neoimperialismo). Dirigido e escrito pelo mesmo autor de Traffic; as credenciais não poderiam ser melhores. Não percam.

Crash: Deixei esse por último porque acho que foi meu favorito. Não sei se impactou a todos da mesma forma, mas não consegui descolar os olhos desde o início do filme, que conta um dia na vida de diversos habitantes de Los Angeles, e como o preconceito afeta a todos, de forma maior ou menor. Mais que isso, é uma história sobre relações humanas, (in)comunicação, frustrações, culpa. A melhor descrição que ouvi foi da Karín: "não é que a situação seja cinza, mas sim que é tudo branco e preto ao mesmo tempo". Somos todos vítimas e agentes de uma sociedade dividida. Li comentários de pessoas que acharam o filme superficial e melodramático; na minha opinião, um filme necessário e forte candidato a melhor do ano.

"It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something."

6 comentários:

Anônimo disse...

Thiago, acho que vc escolheu a profissão errada, deveria ser crítico de cinema!

Como ainda não vi alguns dos filmes que mencionou, não posso concordar ou discordar mt. Ainda assim, eu já concordo com tudo que vc falou de Brokeback Mountain - ou como aqui será, O Segredo de Brokeback Mountain (?) -, principalmente com a parte do Oscar.
Sobre Crash, vi ontem sozinha no cinema e valeu mais do que a pena. Realmente é um filmaço, embora algumas partes pra mim tenham sido um pouco dramáticas demais, e deveria ser obrigatório assisti-lo (viu, Camelo, devia ter ido comigo!).
Sobre King Kong, eu gostei muito, realmente me surpreendeu, o nosso prrrreeecccciiioousssss Andy Serkis merecia ser indicado! (Como cozinheiro ele também está ótimo!). Mas concordo com vc na parte dos efeitos especiais; algumas cenas não ficaram tão perfeitas e poderia ter menos uma meia horinha de filme.

Acabaram-se os meus filmes!

Beijos, Mari...

Anônimo disse...

Thiago,
então, parece que minha teoria sobre Brokeback Mountain estava certa: é um bom filme, mas vai levar mesmo os principais prêmios pr'a Academia se sentir cool...
Tô louco para ver as novas empreitadas de George Clooney, mas sinto que Syriana vai chegar aqui só dentro de muitos meses (Good Night, and Good Luck tem pré-estréia hoje, pelo menos)...
Sobre King Kong: não entendi o que seriam cenas de ação sem conteúdo, mas concordo que houve muitas partes exageradas. Ainda assim, é um trabalho apaixonado e notável. Ponto pr'o Peter, que agora via dirigir um drama intimista.
Como você pôde não me citar ao falar de Truman Capote?!?! Fui eu quem te obrigou a ler In Cold Blood, o livro mais bizarro de todos... Tô louco pr'a ver também.
E, por fim, Crash: filme bem bom, mas, por vezes, faltou sutileza (mal comparando, são desvios e exageros análogos aos do Peter em KK)... Mas concordo: é um filme necessário, do mesmo modo que Fahrenheit 9/11, apesar dos exageros, também o foi.
Vale ressaltar que esse é um dos momentos em que mais sinto sua falta: o de discussão cinematográfica apaixonada.
Saudades,
Pedro

Anônimo disse...

Portuga,

Só vi King Kong. Achei legal, mas meio cansativo. Principalmente, porque passar mais de 3 horas no cinemark sem ar condicionado não é fácil!
Responsendo aos ataques da Mari, não fui ver crash porque estou em época de monografia e ir pro Centro às 4 da tarde num calor infernal não era uma boa idéia..
Quado puder dá uma ligada pra botarmos o papo em dia.
muitas saudades.
Camelo

Anônimo disse...

Portuga,

Só vi King Kong. Achei legal, mas meio cansativo. Principalmente, porque passar mais de 3 horas no cinemark sem ar condicionado não é fácil!
Responsendo aos ataques da Mari, não fui ver crash porque estou em época de monografia e ir pro Centro às 4 da tarde num calor infernal não era uma boa idéia..
Quado puder dá uma ligada pra botarmos o papo em dia.
muitas saudades.
Camelo

Anônimo disse...

Olá!
Tem um tempão que eu não comento aqui, né?
Eu achei o post legal, mas não queria falar nada sobre ele não, só queria te sacanear porque vc escreveu "a não ser que o inverno congele ou algo parecido". Vc quis dizer inferno, certo?
Beijocas
Aninha

Thiago disse...

Claro que eu escrevi "inferno", pode ver...!

Hehehe, valeu pela dica, acabei de corrigir. ;-)