Antes de mais nada, deixa eu agradecer a todas as mensagens, telefonemas, scraps e pombos correio provenientes do hemisfério sul. E pedir perdão a todos (e não são poucos, eu sei) que enviaram palavras de carinho nos últimos tempos.
As desculpas, acho que todo mundo sabe de uma maneira ou de outra. Sem computador próprio, fica mais difícil entrar no MSN ou Skype. Além disso, minha vida anda meio caótica, por aqui. Andei tendo uns desentendimentos com meu orientador nos últimos dois meses, o que me deixou um bocado down. Encurtando a história, eu estava precisando mostrar serviço. Acho que as coisas estão melhores agora.
Por outro lado, ainda tem um Qual no meio do caminho; no meio do caminho tem um Qual. E essa maldita prova não sai - já tá umas três semanas atrasadas porque os professores, aparentemente, estão muito ocupados pra escrever duas questões cada um. O resultado é que eu estou pendente com isso, meio em suspenso.
Pra completar, estamos tendo problemas com a casa também. Tivemos dois microondas queimados, falta de eletricidade nas tomadas por várias horas, pra ouvir o locatário desligando na cara da Karín. Segundo ele, a culpa é nossa por usar eletricidade demais.
Essas são as desculpas, e muita gente já ouviu muitas delas. A verdade, no entanto, é que eu sei que estou me descuidando de manter o contato, e sinto muito por isso. Posso jurar que não encontrei gente mais interessante por aqui - com a exceção da Karín, obviamente ;-) - nem vou voltar americanizado (mais provavelmente o contrário, na verdade). São só trapalhadas minhas, emails que eu penso em responder depois e acabam se acumulando na caixa de entrada.
Deixo-os aqui, com as apropriadas palavras de Drummond.
A Um Ausente (Carlos Drummond de Andrade)
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
A casa, o porta-retratos e o oceano
Há 12 anos
2 comentários:
Escolheu o melhor poema que poderia!
Tento entender o que é fazer o que vc está fazendo, morando e estudando fora e tudo mais, mas é difícil. Não posso dizer nada por experiência própria que nem o Bruno, mas posso dizer também que "estarei sempre aí contigo".
Beijão, e te cuida aí!
Mari
Só hj consegui entrar no seu blog! Vou dizer q agora sei mto bem o q significa saudade. E falta de tempo pra poder matá-la mesmo q seja por mails. Espero q os meus tb compreendam. Se pra mim já é complicado fico imaginando pra vc.
As coisas pra mim andam ainda mei confusas mas acho q em breve isso acaba.
Bjos pra vc e pra Karín
PS: Adorei o poema! Veio bem a calhar.
Carol
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