Imagino que todos aqui tenham visto os ataques ao Lula desferidos pelo Cesar Benjamin. Segundo o Cesinha, ex-militante do PT, o presidente teria dito, em 1994, que tentou atacar e estuprar, sem sucesso, um companheiro de cela, na época em que estava preso. "Não vivo sem boceta" teriam sido as suas palavras. A acusação vinha em meio a uma série de parágrafos auto-martirizantes contando a própria experiência na prisão e como os presos comuns eram muito mais educados que o então líder operário Lula.
A Folha de São Paulo publicou a carta, assim, sem mais nem menos. Uma acusação grave, sem provas, contra o chefe de estado da nação. Entrevistas apareceram depois, de testemunhas presentes no jantar onde a conversa teria acontecido, e nenhuma delas confirma a história. Uma lição de como não se deve fazer jornalismo, e uma tentativa clara de manchar a imagem de um presidente com inéditos 83% de aprovação popular.
O que me surpreende agora é ver a Folha e o próprio Cesinha tentando justificar os atos, esticando a novela o máximo possível. Por exemplo, a Folha publicou a carta de um leitor censurando o jornal pela irresponsabilidade da publicação, e o editor responde:
"A Folha avaliou que era de interesse público publicar o artigo. Trata-se do depoimento de uma pessoa com credibilidade, que atuou na cúpula do PT e que narrava uma conversa com o então candidato à Presidência. O texto não afirmava que o ataque havia ocorrido, mas que o candidato relatara a ação."
Cá entre nós, interesse público? Faça-me o favor.
Depois, no mesmo jornal, Cesinha tenta se justificar. Não comenta a falta de provas, não comenta os desmentidos. Não pede desculpas, não oferece nenhuma evidência, mas continua batendo na tecla de que o Lula estraga o Brasil com o "culto à sua personalidade". E termina com a pérola:
"Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa."
É inacreditável a falta de vergonha na cara.
Escrevo esse post pra pedir a todos aqui: nas próximas eleições, sejam críticos ao ler jornais. Eu tenho minhas próprias críticas ao governo Lula, que não é perfeito e tenho plena consciência disso. Mas se for pra não votar na Dilma, que seja por motivos concretos e argumentos lógicos; não esse mar de lama despejado pela grande imprensa.
PS: Os artigos completos podem ser encontrados no blog do Eduardo Guimarães.
A casa, o porta-retratos e o oceano
Há 12 anos
2 comentários:
Thiago,
Me amarrei em ver um novo post - depois de tanto tempo! - falando de um assunto tão relevante. Muita gente aqui no Brasil ainda chama isso de jornalismo, mas está ficando cada vez mais claro que, além de um modelo de negócio insustentável, os "jornalões" viraram um veículo de setores retrógrados, cada vez mais excluídos da agenda política contemporânea.
Abração,
Dudu
(Via GoogleReader, ficou mais fácil ser o primeiro a comentar...)
Thiago, concordo comletamente. E fico feliz de você ter levantado o assunto.
A Veja é não é nada nem próximo de imprensa.
Eu até sei que no meio político é "normal" esse tipo de ataque à personalidade do político. Mas algumas coisas me deixam com bem muita raiva. Uma delas foi uma foto que rolou até num email pra mim da Dilma usando uma bolsa cara. Agora me fala... se a mulher usa uma bolsa cara, quer dizer que ela não pode governar?
Se eu por acaso votar (ou não) na Dilma, vai ser pelo projeto que ela tem, e não pelo outfit.
Pergunta pro Serra se o terno dele é da "Vila Romana"....
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