No dia seguinte, O Globo publicou nova matéria, na qual um de seus jornalistas escolhia a dedo alguns números que apontavam vitórias de FHC. Não me surpreendo ao notar que, após algumas tentativas tímidas, os repórteres de publicações de oposição abandonaram a comparação e partiram para táticas menos informativas, como invenções sobre empresários de telecomunicações beneficiados pelo governo ou fotos de primeira página de Lula ao lado de Fidel Castro no mesmo dia em que dissidentes morreram por greve de fome em Cuba.
Sem querer entrar no mérito do golpismo da imprensa no Brasil, achei interessante a ideia da comparação. Mas como cientista, estou acostumado não a comparar números isolados, mas gráficos. Gráficos mostram muitos números ao mesmo tempo, e sobretudo são excelentes representações visuais de tendências em dados sequenciais. Um bom astrônomo adora um bom gráfico, então para minha comparação fiz uma compilação de gráficos que encontrei na internet mostrando a evolução temporal de diversos índices econômicos, sociais, o que fosse.
O mais importante nas figuras a seguir é comparar o período entre 1994 e 2002 ao período posterior a 2003.
Para começar, o desempenho econômico geral do governo de acordo com a bolsa de valores. Em particular, comparem a derivada média, ou seja, a inclinação da curva, antes e depois de 2002/2003.

Eu gosto de ver o mesmo gráfico junto com a evolução do índice Dow Jones no mesmo período. Infelizmente não consegui nenhum gráfico mostrando os mesmos índices desde 1994, mas acho que é possível ter uma ideia.

E, claro, as taxas de juros. Notem, em particular, os picos que existiam antes de 2002.

Dólar. Lembrem-se de que no começo do Plano Real, o valor do Real estava atrelado ao dólar, e a taxa de conversão era aproximadamente 1:1.

Dívida externa. Comparem o setor público (linha azul) antes e depois de 2002.

E a dívida total do setor público.

Num gráfico relacionado, a proporção entre reservas e dívida.

Você não gosta de índices econômicos porque não necessariamente implicam melhoria na qualidade de vida? Eu concordo. Pois aí vão os índices de desemprego. Notem que a metodologia não existia antes de 2002, então as estimativas para o governo FHC diferem em índices absolutos do governo de Lula. O importante é comparar tendências de crescimento ou queda entre os dois períodos.


Mas o que isso quer dizer em termos de poder aquisitivo? Vejam a evolução do salário mínimo médio, corrigido pela inflação.

(Consegui o gráfico no Blog do Len, que escreveu uma série parecida.)
Esse é um dos meus favoritos, e um dos mais importantes: a evolução da desigualdade medida pelo coeficiente Gini:

Algo não econômico: o desmatamento da floresta amazônica. Já que algumas pessoas gostavam de criticar o governo Lula na área de meio-ambiente.

Deixo a conclusão a cargo do comentário do leitor. Da minha parte, um único adendo:
2 comentários:
sempre eficiente vc thiago...
;)
Realmente, que eficiência!!
Parabéns pelo esforço e pelo resultado. Só faria ressalvas quanto ao uso da bolsa e do câmbio como indicadores - a relação não é tão proporcional com o bem-estar social.
Aliás, parece que a Carta Capital publicou reportagem ótima sobre as comparações.
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2010-03-07_2010-03-13.html#2010_03-09_21_48_50-3429108-0
Abração!
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