Uma onda conservadora assola o país. Assim como os piores furacões sobre o Oceano Atlântico, essa onda tem nome próprio: Eduardo Cunha.
O presidente da Câmara dos Deputados não tem quaisquer escrúpulos, e pauta as votações ao seu bel prazer. Perdeu a eleição sobre o financiamento privado a campanhas? Sem problemas, é só atropelar o regimento da casa e votar de novo uma proposta levemente alterada. Seus comparsas (agora) seguem o roteiro à risca, e garantem seu cafezinho pelos próximos anos.
Como chegamos aqui? É esse o resultado dos movimentos de junho de 2013, um congresso regido por interesses particulares? No afã de se opor ao governo petista a qualquer preço, elegeram talvez o pior legislativo desde a redemocratização, recheado de militares e milicianos, evangélicos, agroempresários e testas-de-ferro das mesmas companhias investigadas em Lava-Jatos por aí afora. Mas parecemos destinados ao esquecimento e à fúria seletiva, que açoita o executivo e inocenta deputados inescrupulosos. Os jornais continuam dando destaque diário aos escândalos sobre a corrupção, convenientemente ignorando o papel central que o próprio Cunha desempenhou no esquema.
Globo, Veja & Cia parecem satisfeitos. Que maravilha, vamos destruir o governo petista enquanto continuamos controlando as leis brasileiras. As empresas estão contentes, o capital estrangeiro está feliz com a campanha contra a Petrobras. Os reaças, coxinhas, o que for, saem às janelas para bater nas suas panelas de alumínio anodizado quando a presidenta aparece na televisão - panelas essas que serão lavadas no dia seguinte por suas empregadas, aquelas mesmas figuras sem nome ou identidade do avião do Luciano Huck. Bem treinados e hipnotizados pela mídia conservadora, cumprem o seu papel de reclamar apenas do PT, usando as camisas amarelas que enchem o bolso do presidiário Marin. Onde estavam as panelas quando Cunha tentava destruir o processo democrático brasileiro? Onde estavam os gritos, os insultos, os palavrões, quando arruinavam sua aposentadoria, sua pensão, ao mesmo tempo em aumentavam o fundo partidário que compensaria a perda do financiamento privado, financiamento agora (quase) constitucionalizado pelas mãos da mesma dobradinha PSDB/PMDB?
Esse cenário demonstra a necessidade de uma liderança política de esquerda, um dique capaz de conter a onda Cunha. No entanto, temos apenas uma presidenta omissa, relegada ao ostracismo e que parece vir a público tão somente para ratificar o ajuste fiscal perverso proposto pelo ministro Levy. Dilma parece não entender que não adianta governar fazendo exatamente o que a oposição quer; ainda assim, a mídia conservadora e a massa de manobra apanelada vai reclamar. Você dá a mão, eles querem o governo inteiro.
E la nave va. Sob um mar de lama trazida pela onda conservadora, o crescimento econômico, social e político escoa por um ralo imaginário, enquanto os corruptores navegam confortavelmente em seus iates bilionários. Cadê a verdadeira esquerda brasileira? Cadê a reação política de que tanto necessitamos? Cadê?
A casa, o porta-retratos e o oceano
Há 12 anos
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