A Organização
Inacreditavelmente ruim! Vou dar alguns exemplos aqui pra se ter uma idéia, sem ordem definida:
- Eu não conseguia encontrar um programa do evento, com horários e mapas. Quando perguntei pra alguém uniformizado, um me disse "ah, acho que tem alguém andando por aí com isso", enquanto outro me disse "tenho a impressão de que lá no meio do campo tem uma tenda com essas coisas". Depois eu andei dez metros (!) e vi uma barraca cheia de programas.
- Pessoas completamente despreparadas organizando o estacionamento. Imagine-se que com ~200.000 pessoas num mesmo lugar e sem transporte público pro meio do nada, a quantidade de carros é monumental. Junte-se a isso gente que não sabia pra onde direcionar os carros que chegavam ou saíam. Dependendo do horário, se levava mais ou menos uma hora pra entrar e uma hora pra sair. Eu cheguei a ver uma cena em que um guarda gritava pro "responsável" pelo estacionamento, "manda eles virarem à esquerda!!!!!"
- Claro, a possibilidade de alguém entrar com drogas é terrível. Então é necessário revistar completamente cada uma das 200.000 pessoas que passam pelas 10 filas pra entrar no campo. Todo mundo tem que tirar absolutamente tudo que tem dentro da mochila e colocar tudo de volta, mais a revista pessoal. Mais uma hora de atraso.
- Pra quem não sabe, Karín teve um pequeno acidente esquiando e fraturou o joelho, por isso está andando de muletas agora. Levamos uma cadeira de praia pra ela sentar, que foi aceita no segundo dia mas não no terceiro, devido a uma mulher extremamente desagradável. Como tivemos que caminhar meia hora do carro até a entrada, deixamos com os guardas na entrada, e obviamente não estava lá quando voltamos.
Mas não para por aí. Havia um pódio pequeno onde pessoas com muletas e cadeiras de roda podiam ficar. O guarda responsável perdeu completamente o controle do fluxo de gente, e quando reparou que estava tudo uma bagunça, começou a tentar mostrar serviço sendo agressivo com qualquer um que estava ali perto, por exemplo me dizendo pra me acalmar no meio do show (?). Um pouco mais tarde, quando a coisa começou a esquentar por causa de dois grandalhões bêbados ali dentro, a solução encontrada pelo mesmo guarda foi... ir embora. E aí, obviamente, com um lugar privilegiado de frente pro palco, virou tudo um samba do crioulo doido com qualquer um entrando a qualquer hora.
Pra aqueles que pensam que esse tipo de coisa é sempre pior e mais bagunçado quando em terras tupiniquins, saibam que nem sempre isso é verdade.
A Música
Se a organização foi sofrível, a música foi muito legal. Destaques para Björk, completamente louca e com alguns instrumentos eletrônicos que eu nunca havia visto, como essa mesa tangível programável; Arcade Fire, uma banda com vários instrumentos diferentes e um show bem animado; Red Hot Chili Peppers, que dispensam apresentação, ainda botando fogo; o duo Rodrigo y Gabriella, excelentes guitarristas; e Manu Chao, hipano-francês que mistura Reggae com rock e música eletrônica.
Vendo os shows nesse final de semana, dá pra refletir um pouco sobre o que é a experiência de assistir a um show ao vivo. Tem aqueles artistas que não têm o menor senso de relacionamento com a platéia, e invariavelmente o show fica monótono. Tem aqueles cuja música você conhece bem, e nesse caso você vai aproveitar muito porque canta todas as músicas junto. Tem aqueles que se destacam por montar algo inesperado, seja com luzes, ou falando com a platéia, ou pela atitude ou seja lá o que for. E aí, poucas vezes na vida, tem aqueles shows que serão sempre lembrados, simplesmente porque são muito, muito bons.
Esse é o caso do show do Rage Against the Machine, que fechou o festival.

Pra quem não conhece, o Rage é uma banda cujo nome diz tudo. Uma raiva pura direcionada ao sistema e ao status quo. Não tocavam juntos há uns dez anos (com o resto da banda partindo pro mais comportado Audioslave), e se reuniram pela primeira vez aí, no Coachella.
Foi hipnótico. A energia que cada membro da banda, em particular o vocalista Zach de la Rocha, põe em cada música é assombrosa. O público pulava e cantava e gritava sem parar. Eu só sabia a letra da última música que eles tocaram, mas não importava. A eletricidade vinda da banda e sendo conduzida pelas dezenas de milhares de pessoas cantando em coro já eram suficientes.
E quanto à mensagem... Ok, eles às vezes assumem posturas radicais demais. Mas em vista da mesmice bipartidária norte-americana, um pouco de fúria pode ser bem-vinda. Rock n' Roll na veia.
'Cause I'll rip the mike, rip the stage, rip the system
I was born to rage against 'em
Now action must be taken
We don't need the key
We'll break in
4 comentários:
Qué éxito que posso agora releer esto para lembrar quão genial foi o final de semana! Eu não conhecía as músicas do Rage et adorei o concerto deles... o "vibe" do público era inescapable... GENIAL!
Pra os interessados...
http://www.youtube.com/watch?v=M4bxPbIgeDg
Karín
De nossos amigos...
http://www.youtube.com/watch?v=PQrTk8G690Q
Karín
Mas então, diz aí: com essa experiência recente de bagunça, e a crítica dela, o que é mesmo que você vem fazer aqui no Pan?
Hebe
Caraaaaaaaaalhooo!!!! Voce foi no Coachella e, principalmente, NO SHOW DO RAGE!!!!!! Nossa, eu tava lendo sobre o festival aqui e roendo as unhas de vontade inconcretizavel de ir nesse show!!!! Eu nao sei se te xingo de inveja ou se fico feliz por voce... :-) E cah pra nos, radical demais??? Permita-me discorda, caro amigo! Abracao e ateh julho no Brasil.
"No escape from the mass mind rape
Play it again, Jack, and then rewind the tape
And then play it again, and again, and again
Until your mind is locked in
Believing all the lies that they tell ya
Buying all the products that they sell ya
They say 'jump' and you say 'how high?'
You're braindead, you've gotta a fucking bullet in your head!!!!
Bruno, temporariamente sem login.
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