segunda-feira, abril 23, 2007

Columbines

Pois é, alguns anos depois, a história volta a se repetir. Alguém vem e sai atirando contra tudo que se move. Assustador, sem dúvida. Dessa vez, foi na Virgínia, numa universidade importante, e parecida demais com Caltech. Bem maior, é verdade, mas assim como aqui, uma universidade técnica, com enfoque em ciências exatas.

Poderia ser aqui.

E ainda assim, pouca coisa mudou. Algumas mensagens do Presidente da Universidade, e só. Ainda não consegui decidir se é bom ou ruim, mas não se sente se nada mudou. Agora estão levantando fundos para Virgínia Tech. Dinheiro pra quê? Todo mundo sabe que o problema não é esse...

E num paralelo da violência, minha mãe apelidou o tiroteio ali perto de casa de "Columbine Brasileira", ou algo parecido. O problema é completamente diferente. Favelas em guerra, polícia, drogas, tudo aquilo que o carioca já está mais que cansado de ver, ouvir, temer. Mas o paralelo ressalta um ponto importante: a proximidade de um problema contra o qual somos, ao menos de imediato, impotentes. O choque de pensar que o atingido pela bala perdida poderia ser alguém muito próximo.

Poderia ser eu, ou você.

Neokosmos, de luto por todas as vítimas da violência. Everywhere.

Um comentário:

Anônimo disse...

A proximidade é assustadora, sim. Para você (vocês) em CalTech e para nós, brasileiros à mercê de tiroteios sem fim. Nos Estados Unidos, a indústria bélica se recusa a "permitir" a regulação das vendas de armas, invocando uma liberdade que foi outorgada pela Segunda Emenda em contexto específico e já ultrapassado. Aqui, os consumidores de drogas podem ver um certo glamour nas festas iluminadas a brancos e prateados, mas quem consome sabe que atrás do glamour está a violência, a guerra, o tiroteio. (Não se trata de uma posição moralista ou moralizante, mas apenas de constatar a diferença entre consumir drogas lícitas em Amsterdan ou adquiri-las de traficantes colombiano-cariocas: a circunstância faz toda a diferença.) Das armas americanas às drogas brasileiras, a semelhança entre a defesa da liberdade a qualquer preço: nos Estados Unidos instutída pela Lei, no Brasil praticada pelo cidadão comum. Acho que a liberdade de cada um não está acima do bem comum; mas pelo visto sou espécime em extinção, como as araras azuis. Mas isso já está virando um tratado...
Beijos
Hebe